Um guia rápido do vinho grego
Quase todo mundo encontra um guia de vinho grego do jeito difícil, de pé diante de uma lista de uvas desconhecidas. Seis nomes resolvem quase qualquer carta.

Assyrtiko, a primeira a conhecer
O Assyrtiko é a grande uva branca das Cíclades, plantada sobretudo em Santorini, em cestos baixos trançados que protegem o fruto do vento. É seco no osso, de acidez alta, e lembra limão, sal e pedra molhada. É o vinho que fez o mundo levar os brancos gregos a sério.
Peça com qualquer coisa vinda do mar. Não se incomoda com limão nem com azeite, e corta frituras melhor do que quase tudo numa carta grega.
Malagousia e Moschofilero
A Malagousia quase desapareceu cinquenta anos atrás e hoje está plantada por toda a Grécia continental. É aromática e mais macia que o Assyrtiko: pêssego, manjericão, um pouco de casca cítrica. Quando a mesa não chega a um acordo, costuma ser esta a garrafa que agrada a todos.
O Moschofilero vem do Peloponeso, é claro, floral e leve de álcool, e funciona no calor de uma longa noite de agosto, onde um vinho mais pesado achataria a refeição.
Os tintos: Xinomavro e Agiorgitiko
O Xinomavro é do norte, estruturado e lento para abrir, com folha de tomate e ervas secas ao lado da fruta. Quem gosta de Nebbiolo reconhece na hora. Dê tempo no copo e ele recompensa.
O Agiorgitiko é mais redondo e fácil, fruta escura com tanino macio, e não exige um prato pesado. Numa noite de verão na ilha, é o tinto que não parece trabalho.
O rosé não é enfeite aqui
O rosé grego ficou sério na última década. Feito de Agiorgitiko, Xinomavro ou Moschofilero, fica entre o estilo provençal e algo com mais pegada, o que combina com uma mesa em que metade veio do mar e metade da grelha.
Nossa carta de vinhos tem vinte e um brancos gregos, sete rosés e nove tintos gregos, além de champanhes e rótulos de fora, então dá para comparar numa única noite.
Retsina, com honestidade
A retsina carrega uma reputação conquistada nos anos 1970, quando viajava a granel para o exterior e lembrava lustra-móveis. O vinho é mais antigo do que essa fama: a resina de pinheiro servia para vedar ânforas, e o sabor que ela deixava virou um estilo.
As versões modernas são outra bebida. De boa fruta e com mão leve na resina, uma retsina séria é seca, levemente herbal e realmente útil à mesa, sobretudo com frituras e queijos fortes. Prove uma taça antes de decidir.
O que com o quê
Peixe cru e curado pede Assyrtiko. Legumes grelhados e pratos com queijo pedem Malagousia. Cordeiro de cozimento lento pede Xinomavro. Se a mesa divide tudo, que é como a comida grega foi feita para ser comida, um bom rosé e um bom Assyrtiko cobrem juntos o cardápio inteiro.
E se preferir não decidir, diga. Conte ao sommelier o que está comendo e quanto pretende gastar, e deixe a casa trabalhar. O menu degustação é a versão mais simples dessa conversa.
Uma última nota prática. As cartas de vinho gregas mudam rápido, porque quase todos os produtores são pequenos e uma boa safra simplesmente acaba. A garrafa que você amou no verão passado pode não estar aqui neste, então vale mais perguntar o que chegou esta semana do que caçar um rótulo que você lembra.