Doces gregos além do baklava
Os doces gregos se apoiam em três ideias: calda, creme e mel. Depois que você sabe a que família pertence um doce, o resto da lista deixa de intimidar.

A família da calda
O baklava é o embaixador: massa folhada, castanhas, manteiga e calda derramada sobre a assadeira inteira. As boas versões são crocantes e não encharcadas, usam nozes ou pistache em vez de uma mistura do que estava mais barato, e carregam tanto cítrico e cravo quanto açúcar.
Na mesma família estão o kataifi, feito com massa em fios que parecem cabelo fino, e o ravani, bolo de sêmola embebido depois de assado. Todos se conservam bem, e é por isso que existem assim: eram feitos para festas e precisavam durar uma semana.
A família do creme
O galaktoboureko é creme de sêmola assado dentro da massa e regado com calda de limão, e é o que a maioria dos gregos salvaria se pudesse ficar com um só. A bougatsa é o primo do café da manhã, vendido por peso no norte e comido em pé.
Os dois pedem para estar mornos, e nenhum aguenta bem a geladeira. Se um restaurante trouxer galaktoboureko direto do frio, peça outra coisa.
O mel e as frituras
Loukoumades são pequenas bolinhas de massa fermentada, fritas na hora e vestidas de mel, canela e muitas vezes nozes. São o doce mais antigo registrado no país, e versões deles eram entregues a atletas vencedores na antiguidade.
Nos doces cicládicos mais antigos é o mel que faz o trabalho, porque o açúcar chegou tarde e caro às ilhas. O mel de tomilho destas colinas é forte o bastante para ser sabor, não apenas adoçante.
Os doces de colher
São frutas inteiras conservadas em calda: cereja ácida, laranja amarga, figo, até nozes verdes. Chegam num pratinho com um copo de água gelada, geralmente como hospitalidade e não como prato.
O jeito certo é devagar, com a água ao lado, e aceitar um segundo só se for sincero. Numa aldeia isso é uma pequena cerimônia, não um lanche.
O que fazemos com tudo isso
Uma cozinha grega contemporânea mantém os sabores e corta o açúcar pela metade. Nossos doces ficam no cardápio ao lado dos salgados, e o menu degustação de seis tempos termina em um deles, não num carrinho de queijos.
Se estiver pedindo no fim de uma noite longa, divida. Os doces gregos são mais ricos do que parecem, e duas colheradas de algo excelente valem mais que um prato inteiro que você não termina. Nosso guia noturno parte da mesma ideia para o resto do dia.
O que beber com eles
O café grego é o parceiro tradicional, servido numa xícara pequena com a borra dentro e nunca mexido depois de chegar. Peça metrio se não tiver opinião formada: é o doce do meio e o pedido inicial mais seguro.
Depois de um doce pesado, a maioria dos gregos prefere algo claro e forte: tsipouro, ou raki nas ilhas. O Vinsanto de Santorini é a resposta em vinho, doce e de acidez alta, e aguenta qualquer coisa com castanhas e calda.
Uma última palavra sobre quantidade. Os doces gregos são vendidos por peso nas confeitarias, o que significa que você pode comprar uma fatia em vez de uma caixa. Duzentos gramas para duas pessoas, comidos no mesmo dia, é a medida certa, e é assim que a maioria dos gregos compra. O que ficar para amanhã terá amolecido.